Opinião: Qual a surpresa? Kim Jong Un faz o que diz! Análises do míssil “super monstro” da Coreia Popular

De que montanha saiu o monstro

Repetidas vezes, grandes atos nasceram muito antes de sua realização, mas poucas pessoas se dão conta disso.

Quando se trata da Coreia do Norte, a grande parte das notícias que chegam pelos veículos tradicionais sempre trata o país com estigmas e sem a análise crítica necessária, noticiando de modo raso somente algumas das atividades da liderança, sempre apelando para chavões e polêmicas.

No sábado, dia 10 de outubro de 2020, data na qual a República Popular Democrática da Coreia comemorou o 75º aniversário de fundação do Partido do Trabalho da Coreia, foi realizado um desfile militar de proporções gigânticas e que impressionou o mundo principalmente por conta dos novos e modernos armamentos de vários tipos apresentados: de equipamentos individuais nos soldados a mísseis balísticos intercontinentais.

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Opinião: sanções da ONU contra Coreia do Norte revelam hipocrisia e injustiça

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, através de propostas dos Estados Unidos e com o apoio da China e da Rússia, vem aprovando sanções contra a Coreia do Norte durante muitos anos.

Em especial, é interessante analisar as sanções de março de 2016, não incluindo as anteriores ou após essa data. Há que recordar que as sanções dessa data aplicam-se em consequência de um programa espacial pacífico desenvolvido pela República Popular Democrática da Coreia, por mais que na imprensa ocidental pode-se ler continuamente que sejam na verdade “testes de mísseis”.

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Kim Il Sung: o homem com vontade de aço

Uma lembrança em razão dos 26 anos de falecimento do Presidente Kim Il Sung, ocorrido em 8 de julho de 1994

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Vivemos em tempos muito complicados, onde a vida parece cada vez mais dura. Os cercos do capitalismo em sua forma mais extrema nos amarram a uma vida de muitas incertezas e falta de perspectivas: não sabemos se continuaremos no emprego que estamos atualmente, se continuaremos a receber o mesmo salário, se conseguiremos nos manter… E não é somente aqui no Brasil, pois em diversos países do mundo uma crise se acentua e a quantidade de empregos informais aumenta muito. Os mais ricos continuam enriquecendo e pessoas que antes tinham uma vida confortável, agora passam por dificuldades financeiras que nunca experimentaram antes.

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Brasil se compara à Coreia do Norte com medida de censura aos números?

O Brasil está se tornando uma Coreia do Norte em relação ao Coronavírus? Bolsonaro está imitando Kim Jong Un?

Nas últimas horas, têm circulado em páginas da internet, tanto de esquerda quanto de direita, algumas “opiniões” totalmente fantasiosas sobre a nova decisão do governo brasileiro de Jair Bolsonaro de restringir a contagem numérica de contaminados e mortos pela Covid-19. Algumas dessas opiniões chegam a comparar Bolsonaro a Kim Jong Un, dizendo que na Coreia do Norte também houve censura sobre os dados reais de contaminados pelo Coronavírus.

Mas os fatos mostram que isso se trata de um completo devaneio.

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O fanatismo religioso e a tragédia do Coronavírus na Coreia do Sul

A Coreia do Sul é um dos países mais atingidos pelo Coronavírus. São milhares de casos e muitas mortes.

O mais angustiante e revoltante dessa história é que a maior parcela da culpa pela epidemia por lá é de uma igreja evangélica, mais especificamente de um pastor.

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Opinião: nos tempos de Coronavírus, defendamos o socialismo!

O COVID-19, uma nova mutação de um tipo de vírus já conhecida há quase dois séculos pela humanidade (o grupo dos Coronavírus tem esse nome por conta de seu formato lembrando uma coroa), teve seu epicentro na República Popular da China. Inicialmente, em novembro de 2019, o governo de Xi Jinping resolveu fazer das notícias desse surgimento um assunto confidencial, uma vez que informações de risco biológico podem gerar histeria coletiva e desespero da população, facilitando a proliferação de doenças (se alguém ainda tem dúvidas disso, basta ver o que está acontecendo agora).

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O que representa a ida de Kim Jong Un ao topo de uma montanha?

Hoje (19) aconteceu algo muito interessante na Coreia do Norte que você precisa parar por cinco minutinhos para analisar.

A mídia estatal da Coreia divulgou hoje imagens do líder da República Popular Democrática da Coreia, o Marechal Kim Jong Un, andando à cavalo numa importante montanha do país – o Monte Paektu.

Pode parecer uma simples atividade de lazer do líder coreano, mas os simbolismos envolvidos são grandes demais para passarem desapercebidos. Vejamos:

A Montanha Sagrada

O Monte Paektu é um vulcão inativo há milhares de anos que tem um belo lago no seu topo, o Lago Chon. Sua altura é de 3.000 metros aproximadamente e esse monte é o mais alto de toda a Península da Coreia, ficando no extremo norte do país, na divisa com a China. Geograficamente, o Monte Paektu não é um lugar nada fácil, é extremamente alto, com um terreno muito irregular, numa zona remota do país e faz frio a maior parte do ano. Todos os coreanos acreditam que a nação Coreia nasceu nesse lugar porque teria sido lá que Dangun, o primeiro rei coreano, teria nascido e fundado o país.

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O Monte Paektu

A montanha revolucionária

No século XX, quando a Coreia foi ocupada pelo Japão, que colonizou brutalmente o país por mais de 30 anos, um jovem guerrilheiro chamado Kim Il Sung fundou aos pés do Monte Paektu um movimento revolucionário de guerrilha que lutou contra as forças japonesas e alcançou a libertação do país em 1945. Justamente pelas características inóspitas do Monte Paektu, os japoneses tiveram grande dificuldade de localizar precisamente e eliminar os focos de guerrilha alocados ao longo dos acampamentos secretos no monte.

Durante esse processo de guerrilhas, foi também no Monte Paektu que nasceu Kim Jong Il (1942), que viria a ser líder da Coreia do Norte após o falecimento do comandante guerrilheiro Kim Il Sung em 1994. Kim Jong Il é visto como uma das figuras chefes da política e vida nacional da Coreia, então o Monte Paektu tem grande importância por não só ser o lugar de nascimento da Revolução Coreana como também o lugar de nascimento de um de seus mais proeminentes dirigentes.

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Foi no Monte Paektu que o Grande Líder Kim Il Sung organizou a resistência do povo coreano ao imperialismo japonês

Simbolismo

Por conta de todos esses fatos históricos envolvendo o Monte Paektu, como local de nascimento da nação coreana há mais de 5.000 anos, de instalação e operação da Revolução Socialista e também lugar de nascimento de um de seus líderes, o Paektu é frequente em toda a simbologia da Coreia do Norte. Músicas, quadros, monumentos, selos, bandeiras, quase tudo que você puder imaginar tem uma figura do Monte Paektu lá. Ele é o objeto físico que representa a Revolução: é gigantesco, monumental, invencível, inóspito e só acessível pelos donos daquela terra, o que dialoga imensamente com a Ideia Juche, a ideologia oficial da Coreia do Norte que coloca a independência e soberania dos coreanos como elementos centrais.

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Um pôster mostra o General Kim Il Sung e ao fundo o Monte Paektu

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Cavalos, o Monte Paektu e a família revolucionária de Kim Il Sung, Kim Jong Suk e Kim Jong Il representados em quadro.

O que significa ir ao Monte Paektu?

“Nós iremos ao Monte Paektu” é uma canção interpretada por gerações e gerações na Coreia e permanece há anos como uma das músicas mais conhecidas dentro e fora da Coreia do Norte. É o tipo de hino não oficial que todos sabem cantar ou pelo menos sabem a letra. A canção evoca todos os coreanos a visitarem o Monte Paektu, o monte sagrado da Revolução.

É muito comum que estudantes, soldados e trabalhadores coreanos pelo menos uma vez em suas vidas viajem até o Monte Paektu e o escalem. Isso faz parte de uma educação patriótica e ideológica conduzida na Coreia: escalando o monte, as pessoas têm noção do quão difícil e árduo foi o processo revolucionário de seu país nascido ali e como os revolucionários daquela época foram verdadeiros heróis ao conseguirem guerrear em condições quase apocalípticas. É normal ver caravanas e caravanas de coreanos visitando o lugar e conhecendo as instalações preservadas, como barracões da época da guerrilha e museus.

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Caravana de jovens coreanos subindo o Monte Paektu.

O que significa Kim Jong Un ter ido lá?

Essa não é a primeira vez que o Máximo Dirigente da República Popular Democrática da Coreia visita o lugar. Ele já esteve em outras ocasiões visitando o Monte Paektu e inclusive já esteve lá acompanhado pelo presidente sul-coreano Moon Jae In durante sua visita ao Norte – embora hoje o Monte tenha caído mais na representação oficial do socialismo, todos os coreanos, tanto do Norte quanto do Sul, consideram aquele lugar sagrado e histórico por conta de identidade nacional. Tanto é que Moon Jae In levou garrafinhas e pegou a água do lago no topo do Paektu para levar para o Sul.

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O Máximo Dirigente Kim Jong Un se fotografa com presidente sul-coreano Moon Jae In.

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O presidente Moon Jae In do sul da Coreia pega em uma garrafinha água do topo do Monte Paektu.

Porém essas visitas de Kim Jong Un individualmente geralmente representam muitas coisas. Uma das primeiras, é a continuidade da linha coerente do caminho revolucionário. Ele demonstra isso ao visitar e prestar tributo aos heróis antepassados que fundaram o socialismo.

Por ser um lugar extremamente simbólico e querido, a subida do Líder Máximo, ainda mais montado em um cavalo branco e durante a primeira queda de neve antes do inverno, gera fotografias de tirar o fôlego. As fotos contrastam o branco da neve com o branco do cavalo e o azul puro do céu, acrescentando-se aí a extrema beleza do lugar e no centro a imagem do dirigente revolucionário.

Interessante notar que Kim Jong Un não foi só: ele levou consigo sua irmã Kim Yo Jong, filha também daquela linhagem de família nascida no Paektu do qual ele faz parte. Ela esteve ao lado dele o tempo todo e pode ser vista em algumas fotos junto com outros altos funcionários do Partido do Trabalho da Coreia e do governo. Aliás, todos eles haviam acabado de realizar uma visita de inspeção às obras de uma cidade ao sopé da montanha que foi renovada e está quase pronta para ser inaugurada.

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À esquerda: Kim Yo Jong, irmã do Máximo Dirigente Kim Jong Un

O cavalo

O cavalo que Kim Jong Un usa é um belo animal totalmente branco. Alvo como a neve. No peito do cavalo, o brasão de armas da República Popular Democrática da Coreia e em sua testa a estrela do Exército Popular da Coreia, os símbolos de governança de Kim Jong Un.

Além disso, vale citar que o cavalo também é uma das grandes simbologias do socialismo coreano. Uma antiga lenda fala sobre o cavalo Chollima, um cavalo de asas que voava imensas distâncias com apenas uma batida de asas. Indomável no mito original, na simbologia socialista passou a ser domado apenas por trabalhadores e camponeses e foi usado como analogia à crescimento rápido e para frente.

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Chollima: o cavalo alado mitológico que no socialismo serve como símbolo de avanço econômico

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O cavalo branco do Marechal Kim Jong Un

Comentário surpreendente

Agora, o que deixa uma gigantesca dúvida e provoca até certo entusiasmo é o último parágrafo da nota oficial da Agência Central de Notícias da Coreia que noticiou a ida de Kim Jong Un à montanha. Os norte-coreanos, para quem acompanha sua imprensa escrita, possuem um jeito muito único de escrever, e isso fica nítido no surpreendente trecho publicado ontem que diz:

«Sendo testemunhas de cada momento de reflexões do Máximo Dirigente no topo do sagrado monte Paektu, os acompanhantes tiveram a convicção de que será traçada uma grandiosa operação que voltará a surpreender todo o mundo e que a revolução coreana dará outro grande passo adiante.»¹

Alguns meios de comunicação têm divulgado que sempre que Kim Jong Un escala o Paektu uma grande decisão é divulgada em seguida, o que realmente se confirma das outras vezes em que ele esteve lá.

Aparentemente, Kim Jong Un se inspirou muito ao subir à cavalo o lugar de onde seus antepassados iniciaram a história de seu país e irá surpreender o mundo nas próximas semanas.

Resta aguardar!

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¹ Tradução da nota para o português realizado pelo blog A Voz do Povo de 1945.
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Lucas Rubio
Presidente do Centro de Estudos da Política Songun – Brasil

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Opinião: o que significa o lançamento do novo submarino norte-coreano?

Lucas Rubio, Presidente do Centro de Estudos da Política Songun do Brasil, fez pública uma nota sobre a notícia divulgada no dia 23 de julho de 2019 pela mídia estatal da Coreia Popular que dá conta da inspeção do Marechal Kim Jong Un a um novo submarino construído recentemente. A nota é publicada a seguir:

Há alguns anos, não recordo se dois ou três, eu fiz uma matéria que dava um dado interessante de que a República Popular Democrática da Coreia (a Coreia do Norte) era a dona da mais numerosa frota de submarinos do mundo. Algumas pessoas questionaram os dados (tirados das próprias fontes americanas) e tentaram subestimar essa força potencial muito estratégica e importante que são os submarinos.

Pois há poucos dias a mídia estatal da Coreia do Norte divulgou imagens do Marechal Kim Jong Un visitando um estaleiro onde está sendo concluído o mais novo e moderno submarino construído totalmente na própria Coreia com tecnologia nacional. Acho que vale citar que desde 2015 a Coreia do Norte possui mísseis capazes de serem lançados de submarinos adaptados (mísseis da série Pukguksong-1). E o novo submarino, ao que tudo indica, já foi concebido em seu desenho original tendo a capacidade de suportar mísseis (até mais que os antigos adaptados).

Resta o mistério se a propulsão é nuclear ou não (a RPDC também detém tecnologia de manejo nuclear).

 

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O que podemos pensar a partir dessa notícia?

1. A Coreia do Norte pode ser o que você quiser, menos desatenta ou ingênua. Por mais que esteja negociando uma trégua com seus antigos inimigos, como os EUA, ela segue, apesar de tudo, investindo na modernização de suas forças militares (lembram daquele famoso ditado “se quer paz, prepara-te para a guerra”?).

2. A nota oficial da imprensa nessa manhã divulgou que Kim Jong Un elogiou os cientistas, técnicos e operários envolvidos na construção do submarino por terem “construído um submarino de novo tipo ao estilo coreano”. Isso significa que a RPDC não só sabe muito bem absorver velhos mecanismos (os antigos submarinos eram aquisições soviéticas) como também passa a manejar a tecnologia para seus interesses e necessidades.

3. A Política Songun (valorização dos assuntos militares) segue vibrante na Coreia de Kim Jong Un.

4. A Coreia do Norte não é um país de miseráveis atrasados e dependentes de “ajuda chinesa e russa”. Ela possui uma indústria bélica, científica e tecnológica tamanha que é capaz de fazer um submarino (e qualquer um sabe que construir um submarino – ainda mais um potencialmente nuclear – não é o mesmo que construir um carro, por exemplo).

5. Provavelmente os mísseis submarinos coreanos Pukguksong-1 já estão sendo adaptados ou já estão prontos para carregar ogivas nucleares.

Agora é só esperar essa máquina ir pra água e brincar um pouco com a cara do imperialismo.

O socialismo coreano é isso aí: “ninguém pode deter a marcha do progresso econômico e científico e a Coreia está determinada a fazer o que ela quer!”

Aula de soberania.

E o Brasil segue com o projeto do submarino atrasado e seus idealizadores presos ou humilhados perante o público ao invés de serem exaltados.

(Detalhe curioso: o Marechal Kim Jong Un, segundo a nota, inspecionou e tomou parte das obras desde o início. Isso implica que em 2018, quando ele apertou a mão de Trump pela primeira vez, ele a apertou já tendo em mente que estava pronto para qualquer cenário possível.)

Leia o informe oficial da Agência Central de Notícias da Coreia sobre o assunto AQUI.

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Lucas Rubio
Presidente do Centro de Estudos da Política Songun – Brasil

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CEPS-BR comenta em vídeo encontro em Singapura entre KIM JONG UN e Trump (2018)

Em junho de 2018, em razão da histórica cúpula entre a RPD da Coreia e os EUA, realizada em Singapura, o Presidente do Centro de Estudos da Política Songun do Brasil foi entrevistado por Daniel Mazola, fundador e diretor do periódico online Tribuna da Imprensa Sindical.

A matéria sobre a entrevista pode ser vista no seguinte link:

O Império se viu obrigado a dialogar – vitória da Coreia Socialista. Confira a análise de Lucas Rubio [vídeo].

A entrevista em vídeo:

Também por ocasião da cúpula, o canal do YouTube JucheTV promoveu um debate online ao vivo entre Lucas Rubio, Diego Grossi, também do CEPS-BR e Eduardo Vasco, fundador do canal. Confira:

 

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