O General da Coreia: notas sobre os 10 anos de falecimento de Kim Jong Il

É de se considerar que grande parte da essência de existência do próprio Centro de Estudos da Política Songun do Brasil se deve aos muitos trabalhos e feitos da vida do General Kim Jong Il. Por essa razão, nossa organização e todos os seus membros relembram com grande atenção a data de 17 de dezembro de 2021, que marca o 10º aniversário de falecimento do Generalíssimo.

Os méritos da vida revolucionária do camarada Dirigente Kim Jong Il são amplamente conhecidos por todos. Passada exatamente uma década após a sua partida física, ainda escutamos os ecos vívidos das ações tomadas pelo Dirigente em momentos cruciais na História da Coreia e do mundo. Tais ecos ressoam como provas da grande capacidade de liderança do General que atravessou junto de seu povo momentos de terríveis provações sem dar jamais sequer um passo atrás. Dos grandes méritos de Kim Jong Il dos quais estamos falando aqui, talvez um dos mais substanciais e preponderantes seja o da elaboração e aplicação prática da Política Songun, artifício impressionante nascido da interpretação correta de mundo que o General Kim Jong Il teve em sua época.

A Política Songun é um dos pilares da República Popular Democrática da Coreia. As suas origens são muito antigas, mas foi sob o comando do General Kim Jong Il que essa política tomou formas, nomes e sentidos como os que conhecemos hoje. O Songun é a aplicação prática do modo jucheano de se entender a realidade material e de transformá-la conforme as demandas das massas populares. Em poucas palavras, Songun é a política militar da Coreia que dá grande importância aos assuntos militares como forma de não somente defender o país das ameaças externas como também dar um novo impulso na construção socialista.

A Coreia é uma nação milenar que sempre esteve cercada por vizinhos poderosos, que muitas vezes tentaram subjugar esse território e seu povo para alcançar seus objetivos. De todas as trágicas intervenções externas na Coreia, as mais recentes e mais dolorosas certamente foram as que envolveram o Japão e, logo depois, os Estados Unidos.

Invadida pelos japoneses no começo do século passado e sem apresentar capacidade de resposta imediata a este ataque, a Coreia passou décadas sob ocupação estrangeira, que se mostrou um desastre de várias maneiras. O movimento revolucionário várias vezes falhou, encontrando sucesso apenas quando o camarada General Kim Il Sung apontou que a luta de independência do povo coreano necessariamente deveria ser uma luta travada com armas. A História nos mostra que a leitura de Kim Il Sung estava correta, uma vez que foi somente com a força das armas que os japoneses foram expulsos definitivamente da península da Coreia. No contexto da libertação do ano de 1945, a Coreia sofreu mais um golpe ao ser ocupada unilateralmente pelas forças dos Estados Unidos, que se estacionaram na metade sul do país e, dali, em 1950, lançaram as hordas que iniciaram a Guerra de Libertação da Pátria, que duraria 3 anos e seria terrivelmente destrutiva. Nesse momento, mais uma vez, foram as forças armadas revolucionárias, criadas pelo General Kim Il Sung, que controlaram a situação ao defender o território da RPDC e impor a assinatura de um armistício vergonhoso para a maior superpotência nuclear do mundo.

Esses dois episódios nos mostram duas coisas: sempre que a Coreia esteve fraca militarmente, foi alvo de ataques dos inimigos e, em todos os casos, foi a força das armas que afastou o perigo.

Décadas depois, na dura passagem do século XX para o XXI, mais uma vez a Coreia se viu em uma conjuntura interna e externa nada favorável diante do desfacelamento dos países socialistas e da União Soviética e de uma nova onda de avanço dos EUA na Ásia, que incluiu todo tipo de cerceamento político, econômico e, principalmente, militar. A imposição de um bloqueio econômico e o aumento de efetivo militar em quesito humano e tecnológico nas bordas da RPDC em um momento de fragilidade econômica interna mostraram que os EUA estavam dispostos a continuarem com seu plano de destruição da Revolução Coreana.

Diante desse cenário, o General Kim Jong Il, que havia acabado de assumir o comando da Revolução naquele momento, reuniu o povo coreano ao redor das Forças Armadas ao organizar o Songun, tanto teoricamente quanto na prática. Empregando todas as forças vitais do país no fortalecimento do Exército Popular da Coreia, o Dirigente Kim Jong Il conseguiu fortalecer esse ramo do ponto de vista técnico e ideológico. Ao contrário do que aconteceu nos outros países socialistas, nos quais o desvio ideológico afastou os exércitos populares de seus propósitos – que são servir ao povo e defender o socialismo -, na Coreia, o Exército Popular se tornou uma fortaleza ideológica que não só serve para a defesa bélica do país como também atua ativamente na construção econômica.

Sempre ao lado do Presidente Kim Il Sung, o Dirigente Kim Jong Il nunca abriu mão do caminho socialista da Coreia
O caminho da autopreservação militar do Songun resguardou de intervenções estrangeiras o processo revolucionário

O Songun não só modernizou tecnicamente o Exército como também o colocou como vanguarda do processo revolucionário em todas as frentes. Em todo o país, o povo passou a fazer parte da vida do Exército e o Exército passou a fazer parte da vida do povo, atuando junto às atividades econômicas, científicas, sociais, artísticas e participando da reconstrução econômica genuinamente socialista que não abriu espaços para a entrada de ideais reformistas. Sem capitular diante do revisionismo ou se abrir “ao modo Perestroika” – que se mostrou uma farsa catastrófica na URSS – o sistema político e econômico da Coreia Popular se reconfigurou baseado no socialismo para enfrentar os problemas e demandas da nova época.

Do ponto de vista geopolítico, a liderança de Kim Jong Il foi responsável por impedir a eclosão de uma nova Guerra da Coreia, uma vez que a RPDC, de maneira surpreendente, conseguiu alcançar níveis impensáveis de desenvolvimento militar ao construir para si, de modo autônomo e nacional, um formidável arsenal nuclear com vistas em sua autodefesa. Por essa razão, Kim Jong Il é um campeão da paz e estrategista militar ímpar. Ao se tornar uma nação nuclear moderna, a Coreia Popular impôs sua voz à comunidade internacional e alcançou um equilíbrio na balança regional ao conseguir tirar da mesa a possibilidade de uma guerra aberta, que, obviamente, traria consequências terríveis para os próprios Estados Unidos, que se viram num beco sem saída perdidos dentro de sua própria armadilha. Tanto ameaçaram com armas atômicas o povo coreano que ele conseguiu, baseado em suas próprias forças e contando com uma vontade férrea de defender o seu socialismo, desenvolver suas próprias armas nucleares que travaram qualquer possibilidade de conflito. Afinal, é um direito mais que justo que as nações tenham capacidade de se auto preservarem num mundo no qual somente um país historicamente agressor deseja manter o monopólio de armas que podem destruir o planeta centenas de vezes.

Do ponto de vista teórico, o General Kim Jong Il tem o trunfo de ter sido uma liderança leal ao seu povo e ao socialismo, que jamais negociou a autonomia de seu país e que manteve o curso da Revolução apesar de todos os obstáculos impostos pelos inimigos. Ele não só fortaleceu materialmente a Coreia, como também promoveu o exercício ideológico saudável e necessário da crítica e da autocrítica em todos os cantos do país durante suas visitas incansáveis a escolas, fazendas, fábricas, unidades militares e locais de trabalho. Se em outros lugares o Exército serve para servir aos ricos, defender a propriedade dos senhores e manter de pé a sociedade de classes, na Coreia de Kim Jong Il as Forças Armadas cumprem o papel de defender a Revolução e a soberania nacional, de esmagar os inimigos do povo e também o de fazer avançar a construção socialista nas áreas da economia, ciências e técnicas. Com esse pensamento, o Exército desenvolveu para si poderosos armamentos e, paralelamente, também poderosas máquinas e métodos usados na vida civil do país, numa aliança inquebrável entre o povo e o Exército.

Kim Jong Il reorganizou as Forças Armadas como baluarte revolucionário e impulsionador do desenvolvimento econômico

É claro que, como um ser humano, um dia o General Kim Jong Il teria de deixar a vida; e foi isso que aconteceu há exatamente 10 anos, em 17 de dezembro de 2011, quando seu coração parou de bater. As circunstâncias de seu falecimento revelam muito sobre o caráter desse revolucionário, já que ele deixou a vida enquanto viajava em seu trem rumo a um canteiro de obras que iria supervisionar. Até mesmo em seus últimos momentos de vida, esteve de serviço ao povo da Coreia, se mostrando como um líder próximo das massas, que era capaz de ouvi-las, entender suas necessidades e criativamente resolver os muitos problemas que surgem quando se está construindo um país socialista de novo tipo.

O General Kim Jong Il não só foi um grande homem de sua época como também plantou sementes que florescem e florescerão para as presentes e próximas gerações. Hoje, a Coreia, sob o comando do Secretário-Geral Kim Jong Un, vive um novo estágio de sua construção revolucionária, superados boa parte dos problemas que foram enfrentados justamente por Kim Jong Il e seu povo na árdua transição de épocas passadas. Se hoje as dezenas de milhões de coreanos dormem em paz e o mundo está melhor com menos uma guerra, isso se deve a mente de Kim Jong Il, que muito trabalhou junto ao Estado, Partido e Exército para garantir isso.

O Dirigente Kim Jong Il sempre trabalhou para o povo

Naturalmente, quando falamos da Política Songun da Coreia, razão de existência de nosso centro de estudos, e de todas as questões que apresentamos aqui, nos colocamos diante da face militar do General Kim Jong Il. Mas não nos é permitido esquecer das demais virtudes e essências do Dirigente que, entre várias qualidades, também era um artista e um intelectual, que cuidava dos mínimos aos máximos detalhes da construção socialista da Coreia.

Como nos ensina a Ideia Juche, o indivíduo se torna imortal com seus atos e legados. E o Dirigente Kim Jong Il, certamente, se tornou um imortal. A História demonstra a justeza e correção da leitura de Kim Jong Il, afinal, quantos países que não investiram em autodefesa desapareceram nas últimas décadas? São vários os exemplos. E o estágio atual da Coreia nos mostra que o General se preocupou não apenas com o fortalecimento técnico, mas também com o ideológico das forças armadas.

Uma década depois do trágico dia de sua partida, Kim Jong Il segue vivo de várias maneiras não só para o povo coreano como para todos os povos que lutam, anseiam e defendem a independência, a paz e a amizade. O Dirigente Kim Jong Il foi e sempre será lembrado como um revolucionário anti-imperialista de primeira linha e leal comandante que caminhava junto ao seu povo em igualdade. Defender o legado do camarada Kim Jong Il é defender as bandeiras da Revolução e a autodeterminação como um todo.

Que viva para sempre a memória do General Kim Jong Il!

Viva a Revolução Coreana!


Centro de Estudos da Política Songun – Brasil
16 de dezembro de 2021

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