China e Coreia Popular celebram cerimônias nos 70 anos do auxílio chinês na Guerra da Coreia

O dia 19 de outubro de 2020 marcou o 70º aniversário da entrada da República Popular da China na Guerra da Coreia, em um momento histórico de solidariedade internacionalista nos anos 1950. Para marcar a importante data, cerimônias foram realizadas tanto na China quanto na República Popular Democrática da Coreia, incluindo a participação dos líderes dos dois países, Kim Jong Un e Xi Jinping.

Em 19 de outubro de 1950, muito pouco tempo depois da vitória da Revolução na China e da proclamação da República Popular, os chineses entraram na Guerra de Libertação da Pátria (conhecida no Ocidente como Guerra da Coreia) em auxílio ao povo coreano, que sofria uma agressão em larga escala por parte dos Estados Unidos da América.

Na época, os EUA eram um país muito mais forte que a China e a Coreia Popular, mas mesmo assim a grande determinação de ambos os povos e a sábia direção política durante a guerra acabaram finalizando o conflito com uma grande vitória em 1953, com a assinatura do armistício da guerra, promovendo a manutenção da paz e estabilidade na região. Os EUA acabaram por envolver a China na guerra por conta da aliança histórica desse país com a Coreia e também através de um sistemático bombardeio de regiões fronteiriças da China. Caso os EUA não fossem barrados, a autonomia e independência tanto da Coreia quanto da China poderiam ser completamente destruídas.

Para marcar os 70 anos do ingresso do chamado exército de Voluntários do Povo Chinês (VPC), muitas cerimônias e momentos de destaque foram realizados na China e na RPDC. Reuniões de alto nível, visitas a monumentos, publicações escritas e cerimônias de memória ocuparam a agenda dos dois países nos últimos dias desse mês de outubro.

No dia 22 de outubro de 2020, Kim Jong Un, máximo mandatário da RPD da Coreia, visitou o Cemitério dos Mártires do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, localizado em Hoechang, na província de Phyongan do Sul. Lá, ele depositou uma coroa de flores diante do monumento na entrada do cemitério e, acompanhado de altos oficiais políticos e militares, visitou vários túmulos, incluindo o de Mao Anying, filho do Presidente Mao Zedong da China, morto durante o conflito. No túmulo de Mao Anying, o Presidente Kim Jong Un depositou flores e se curvou em reverência ao mártir revolucionário. A Guarda de Honra do Exército Popular da Coreia atendeu ao momento e foram executados os hinos nacionais da República Popular da China e da República Popular Democrática da Coreia.

O Marechal Kim Jong Un declarou na ocasião:

«Embora 70 anos tenham se passado desde a incorporação dos excelentes filhos do povo irmão chinês na sagrada Guerra de Libertação da Pátria do povo coreano, os feitos imortais e os méritos heroicos do Corpo de Voluntários do Povo Chinês permanecem frescos em nossa memória. Sob a bandeira de “Resistir aos ianques, ajudar a Coreia e defender o seu país”, o povo chinês apoiou e ajudou sacrificialmente a Coreia em circunstâncias muito difíceis.

A participação do corpo chinês na guerra coreana deu um contributo histórico para a grande vitória na Guerra de Libertação da Pátria. Apesar do passar do tempo e dos séculos, este triunfo que alcançaram continuará tendo um significado realmente enorme. À custa de sangue, os militares e habitantes de ambos os países compartilham a vida e a morte e alegrias e tristezas com base na crença de que seu destino é inseparável de si mesmos.

Nosso Partido, Governo e Povo jamais esquecerão o nobre espírito e a disposição de sacrifício dos oficiais e soldados chineses, que lutaram valentemente oferecendo sua valiosa juventude e vida sem medo da morte na sagrada guerra contra os agressores imperialistas, enfatizando que o o sangue vermelho derramado por eles está na terra de toda a pátria.»

Presidente Kim Jong Un visita o cemitério de mártires dos voluntários chineses.
Kim Jong Un presta reverência diante do túmulo de Mao Anying, filho de Mao Zedong, revolucionário chinês.
O túmulo de Mao Anying, que morreu durante um ataque aéreo dos EUA no norte da Coreia.

No dia anterior, Kim Jong Un havia enviado uma coroa de flores ao Monumento da Amizade, localizado na capital coreana Pyongyang e que representa a ajuda prestada pelo povo chinês na guerra. A coroa de flores foi depositada em uma cerimônia que contou com a presença de autoridades do Estado e do Exército coreano, além da Guarda de Honra. Após a cerimônia, as autoridades adentraram o monumento e viram as obras de arte do local.

Autoridades chinesas da missão diplomática em Pyongyang também visitaram o Monumento da Amizade logo depois. Elas depositaram coroas de flores.

Ainda na Coreia, foram publicados vários artigos em jornais importantes do país. O jornal Rodong Sinmun, órgão do Partido do Trabalho da Coreia, publicou um editorial de destaque chamado «Os feitos dos mártires dos VPC brilharão para sempre na história da amizade entre a RPDC e a China».

Já na República Popular da China, grandes cerimônias também marcaram os 70 anos da entrada dos Voluntários do Povo Chinês na chamada Guerra de Resistência Contra a Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia, nome que o conflito leva neste país. A Agência de Notícias Xinhua em português publicou inúmeros artigos, noticiando as festividades promovidas no país.

Xi Jinping, líder máximo da RP da China, compareceu a uma gigantesca reunião realizada no Grande Palácio do Povo de Beijing no dia 23 de outubro. Estiveram presentes altos representantes do Estado e do Exército da China e também veteranos do exército de voluntários.

O Grande Palácio do Povo de Beijing abrigou uma gigantesca reunião com a presença do Presidente Xi

Com um extenso discurso, o Presidente Xi Jinping exaltou o esforço chinês de 1950 em não aceitar uma agressão por parte dos EUA a um povo amigo e que potencialmente poderia ter se transformado em um ataque contra o próprio povo chinês. Ele também disse que as forças combinadas da China e da RPDC derrotaram os EUA, que estavam armados até os dentes, e com isso destruíram o mito de “invencibilidade” do Exército dos EUA.

«A vitória dos Voluntários do Povo Chinês na Guerra de Resistência Contra a Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia (1950-53) demonstra plenamente a solidariedade e a tenacidade do povo chinês. Os povos e exércitos da China e da RPDC forjaram uma grande amizade na Guerra, passando por maus e bons momentos, e, durante o conflito, os VPC receberam cuidado e apoio do partido, governo e povo da RPDC.»

Em histórico discurso, Xi disse que a China saiu da Guerra da Coreia como uma nação mais poderosa

O Presidente Xi também ponderou que a entrada chinesa no conflito causou uma grande mudança na postura da Nova China no cenário regional e global, ao provar o seu grande poderio na balança internacional e remover a antiga pecha de que o país era “o doente do Leste Asiático”. Ele também concluiu que a guerra promoveu uma profunda modernização nas forças armadas da China e que a vitória sino-coreana “desafiou a invasão e a expansão do imperialismo, salvaguardou a segurança da Nova China, estabilizou a situação na Península Coreana e manteve a paz na Ásia e no mundo”

Se referindo aos soldados veteranos presentes na reunião, Xi disse:

«Eles sempre defenderam o internacionalismo lutando pela causa da paz e da justiça para a humanidade; defenderam o heroísmo revolucionário com sua bravura e atos de valor; defenderam o otimismo revolucionário demonstrando alta moral apesar das misérias e dificuldades; defenderam a lealdade revolucionária sacrificando-se para completar missões atribuídas pela pátria e pelo povo».

Refletindo sobre os dias de hoje, Xi Jinping declarou que “práticas de chantagem, bloqueio e pressão máxima sobre outros países não levam a lugar nenhum” em uma indireta para os EUA. Ele também conclamou as pessoas a levarem adiante o espírito dos Voluntários para erguer uma China renovada e poderosa.

No dia anterior, o governo chinês havia entregue aos veteranos uma condecoração honrosa por sua participação na guerra.

Medalha foi entregue aos veteranos da Guerra de Resistência Contra a Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia

O Presidente Xi Jinping também compareceu à abertura de uma exposição que está sendo realizada no Museu Militar da Revolução do Povo Chinês em Beijing. Diante de milhares de fotos e peças históricas, Xi mais uma vez exaltou a grande vitória dos povos da China e da Coreia Socialista e incentivou que mais estudos históricos sejam realizados para documentar o máximo possível desse momento importante na história da China.

Em exposição de fotos e peças históricas que marcam os 70 anos da entrada do VPC na guerra, Xi Jinping destacou a importância da grande vitória sobre os EUA e seus anseios de domínio sobre a China e a Coreia

Ainda na China, foram realizados lançamentos de filmes, documentários e livros sobre a guerra. O Grupo de Mídia da China, em cooperação com o Departamento de Comunicação do Comitê Central do Partido Comunista da China, realizou uma cerimônia na capital chinesa Beijing no dia 25 de outubro para marcar os lançamentos dos materiais. Alguns dos documentários e filmes já foram exibidos pela rede de televisão da China e alcançaram, somados, quase 2 bilhões de visualizações.

Em Beijing, foram lançados livros, filmes e documentários sobre a guerra.

Em várias cidades na China e na Coreia Popular, cemitérios que abrigam túmulos de soldados chineses que lutaram na Guerra da Coreia foram completamente reformados e receberam visitas de coreanos e autoridades estrangeiras chinesas, como membros do corpo diplomático. Durante as visitas, homenagens foram rendidas e muitas flores foram depositadas em monumentos.

Vários cemitérios na RPDC e na China foram reformados e receberam visitas de autoridades chinesas e coreanas

As grandes cerimônias que marcaram em alto estilo os 70 anos da colaboração da China Popular na Guerra de Libertação da Pátria simbolizam o espírito comum de irmandade entre ambos os países, que seguem como grandes aliados em várias frentes mesmo que se passem séculos.

Memória eterna a todos àqueles que lutaram, morreram e viveram pela justiça, pelo anti-imperialismo e pelo socialismo!

Lucas Rubio, Centro de Estudos da Política Songun do Brasil

(Com informações de KCNA, Rodong Sinmun, Xinhua e Diário do Povo)

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