Coreia Popular: 72 anos de liberdade e socialismo

O dia 9 de setembro é um dos feriados mais aclamados na Coreia. Esse dia marca o aniversário de fundação da República Popular Democrática da Coreia, que esse ano alcança o número 72. Nessas mais de 7 décadas de construção do socialismo na Coreia, muitos desafios se levantaram diante do povo coreano, que sempre os encarou com muita coragem, mantendo sua autodeterminação e princípio revolucionário.

O verdadeiro Estado da Coreia

A fundação da República Popular Democrática da Coreia ocorreu historicamente como uma resposta de defesa da Revolução Coreana diante da investida gananciosa dos Estados Unidos na Península Coreana. Em 1945, após a expulsão das tropas japonesas pelas tropas combinadas do Exército Popular Revolucionário da Coreia do General Kim Il Sung e o Exército Vermelho da URSS, os EUA desembarcaram milhares de tropas na parte sul do Paralelo 38 da Coreia e lá estabeleceram uma zona de ocupação militar.

Três anos depois, em 1948, formalizando a perseguição sistemática aos movimentos populares que atuavam em toda a Coreia, principalmente os órgãos de Poder Popular chamados de “Comitês Populares”, os EUA planejaram e fundaram um Estado fantoche na zona sul da Coreia, a chamada República da Coreia, sob comando de um colaboracionista e títere chamado Syngman Rhee. Syngman não tinha participado de nenhum episódio relevante da luta anti-colonial do povo coreano e foi implantado ali na Coreia como um líder favorável aos interesses dos estadunidenses, que queriam dar um caráter aparente de “autonomia” à Coreia por meio da fundação de um governo afável e subordinado. Syngman Rhee foi quase que uma escolha natural porque havia passado anos nos EUA durante as décadas na qual Kim Il Sung e o povo coreano empreendiam uma guerrilha para combater o Japão, que havia colonizado a Coreia.

No Sul, o que se passou foi uma substituição de imperialismos – saíram os japoneses, chegaram os estadunidenses

Se no sul da Coreia formou-se um governo e um Estado fantoches para atender aos interesses imperiais dos EUA, no norte a situação foi diametralmente oposta. Sem tropas estrangeiras de ocupação em seu território (um pequeno contingente soviético para ajudar na manutenção da ordem seguia no país, entretanto), o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte foi reorganizado para um verdadeiro governo de ampla participação popular e a Assembleia Popular Suprema foi elevada como órgão máximo do país, seguindo, no dia 9 de setembro, com a proclamação formal da República Popular Democrática da Coreia, Estado socialista autônomo e formado por coreanos.

Dessa maneira, a RPDC passou a representar o único Estado da Coreia com qualidade legítima para operar como representante dos anseios populares dos coreanos, ao passo que a República da Coreia ao sul nada mais era do que fruto de uma ocupação externa e liderada por uma personalidade autoritária que havia sido “pinçada” e colocada no poder sem ter qualquer participação na larga luta anterior pela libertação do país.

A construção de um Estado revolucionário

Um Estado socialista deve lançar as sementes para o avanço da Revolução nos anos futuros que irão culminar, muito tempo depois, na destruição do próprio Estado. Assim, na Coreia Popular, constituiu-se um Estado para que ele pertencesse ao povo coreano como estandarte de defesa da Revolução e para manter a soberania nacional diante da ocupação ilegal ao sul.

O governo revolucionário do recém-nascido Estado coreano tratou de aprofundar, nos anos seguintes a 1948, as reformas sociais e revolucionárias que vinham sendo implantadas desde 1945 – data da libertação do país das garras japonesas. Distribuição das terras para os camponeses, alfabetização em massa, industrialização e planejamento econômico centralizado foram algumas das medidas tomadas pelo Estado da RPDC logo após a sua criação, garantindo o andar da carruagem revolucionária.

O Presidente Kim Il Sung orienta na criação da bandeira e do escudo nacional da República Popular Democrática da Coreia
O Presidente Kim Il Sung em sessão da Assembleia Popular Suprema
O nascimento da RPDC

Terríveis provações

Menos de dois anos após sua fundação, a RPDC passaria por sua maior prova de fogo até então: a Guerra de Libertação da Pátria (aqui no Brasil ainda chamada de Guerra da Coreia). Os EUA, com ânsia de expandir seu domínio político, econômico e militar por toda a Coreia, provocaram a eclosão de um conflito que no seu fim, em 1953, havia arruinado a maior parte do país. Em três anos de guerra, o Estado da RPDC teve que suportar imensas ondas de ataque dos EUA: bombardeios indiscriminados usando fósforo branco, armas químicas e biológicas.

As estruturas estatais, no entanto, seguiram operando no curso da guerra em diversas situações: dentro das matas com gabinetes e ministérios móveis ou então debaixo da terra, com o uso difundido de técnicas de túneis.

Mesmo em uma posição bem desfavorável, o Estado da RPDC – contando com grande apoio da população em geral e munido de um Exército Revolucionário – conseguiu, em 1953, garantir a sua soberania e existência ao fazer os EUA a assinarem o armistício da guerra.

A reconstrução do pós-guerra e os “anos de ouro” (décadas de 1960 a 1980) da RPDC demonstraram a grande experiência socialista de tipo avançado que acontecia na Coreia, interna e externamente: com rápido desenvolvimento econômico e aumento expressivo da qualidade de vida da população, a Coreia Socialista também colaborou com movimentos revolucionários e anti-coloniais em todo o mundo, incluindo a África e América Latina.

Completamente devastada durante a guerra, a Coreia Popular se reergueu das ruínas e construiu uma civilização moderna e avançada

A ideologia estatal socialista chamada Juche conseguiu garantir uma atuação independente na arena internacional: a RPDC, durante as rusgas entre os chineses e soviéticos, manteve-se soberana e jamais pendeu para um dos lados.

A chegada dos anos 1990, porém, trouxe grandes desafios: com a queda da URSS e dos países socialistas da Europa Oriental, a economia norte-coreana foi severamente abalada, acrescentando-se aí os desastres naturais que varreram o país e o cerco militar e econômico iniciado pelos EUA. A chamada Árdua Marcha foi mais uma provação ao Estado da RPDC, já sob comando do Dirigente Kim Jong Il, que teve que resolver a questão econômica ao mesmo tempo que precisou salvaguardar a soberania do país e afastar uma guerra iminente.

A independência da RPDC é garantida pela Política Songun – a valorização do Exército Popular

Estado nuclear

O desenvolvimento do famoso e tão comentado programa nuclear da RPDC se deu justamente nesse período de necessidade de manter a independência do país. Os EUA, com a imposição do bloqueio econômico e com o posicionamento de armas nucleares na Coreia do Sul e Japão, forçaram a Coreia a achar uma alternativa de ser um país militarmente preparado para se defender. E a alternativa foi o desenvolvimento de armas e mísseis poderosos, seguindo a Política Songun – a valorização dos assuntos militares.

Desde 2017, sob a liderança do Marechal Kim Jong Un, a RPDC maneja com sucesso a tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais e bombas de hidrogênio em miniatura, alcançando uma posição de Estado nuclear respeitado e impossibilitando a eclosão de uma nova guerra na Coreia – os EUA foram repelidos a não investirem militarmente contra o país a resposta coreana seria amarga demais.

Marechal Kim Jong Un diante do Hwasong-14, primeiro míssil balístico intercontinental da Coreia

72 anos de vitórias

O histórico dos mais de 70 anos de criação do Estado socialista da RPDC é marcado por grandes vitórias e conquistas. De guerras à superações de adversidades políticas e econômicas, o Estado coreano é um dos mais sabotados, cercados e atacados do mundo. Mesmo assim, segue independente e livre, passando por cima de obstáculos que teriam derrubado qualquer outro Estado do mundo que não fosse constituído em sua essência pela participação popular.

Longe da visão amplamente difundida pela guerra midiática anti-comunista, a RPDC, com sua Assembleia Popular Suprema, Comitês Populares, sindicatos, associações de operários, camponeses e artistas segue sendo em suma um Estado popular e socialista, garantindo para toda a sua população a segurança de um país que possui educação livre e universal, saúde, trabalho e moradia para todos.

São 72 anos de grande vitória no campo da democracia popular, direitos humanos, independência, anti-imperialismo, anti-fascismo e socialismo que devem ser recordados e comemorados por todos os trabalhadores e revolucionários do mundo como data especial e inspiradora!

Lucas Rubio
CEPS-BR

+ Leia o livro “A Revolução Coreana”, aclamada obra em português sobre a Coreia Socialista

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