Publicada entrevista sobre a Política Songun

A página do Facebook Coreia do Norte em Foco publicou no dia 14 de março de 2020 uma entrevista realizada por eles com o Presidente do Centro de Estudos da Política Songun do Brasil, o camarada Lucas Rubio.

A entrevista é reproduzida a seguir:

Lucas Rubio: Antes de mais nada, nós do Centro de Estudos da Política Songun do Brasil gostaríamos de agradecer a oportunidade de sermos entrevistados por vocês! Hoje em dia no Brasil, diferente do que acontecia há alguns anos, temos muito mais veículos de informação e desmistificação sobre a Coreia do Norte e vocês fazem parte disso.

Coreia do Norte em Foco: 1. O que significa Songun?

Lucas Rubio: “Songun” é um termo moderno na língua coreana que significa literalmente algo como “linha militar” ou “militares primeiro”. É uma política que foi delineada pelo Presidente Kim Il Sung e implementada pelo Dirigente Kim Jong Il que prioriza os assuntos militares na defesa da pátria e no transcurso da Revolução.

O Songun é fruto de uma análise materialista da História e da realidade da Revolução Coreana. Desde os primeiros anos da Luta Armada Anti-Japonesa, liderada pelo General Kim Il Sung na década de 1920, foram o Exército e os soldados os elementos centrais que conduziram o processo revolucionário da Coreia, desencadeando na libertação do país da ocupação japonesa em 1945. Depois, em 1950, quando eclodiu a Guerra de Libertação da Pátria, momento no qual os imperialistas estadunidenses invadiram a recém formada República Popular Democrática da Coreia para abater totalmente a experiência socialista e independentista do povo coreano, foi mais uma vez o Exército Popular da Coreia o bastião da soberania nacional e do socialismo ao estilo coreano.
Nos anos 1990, quando a Coreia Popular passava por grandes dificuldades econômicas e geopolíticas por conta do fim do bloco socialista liderado pela URSS (que era responsável por boa parte do comércio exterior da Coreia), do cerco imperialista promovido pelos EUA e também por conta dos desastres naturais que abalaram a economia nacional, o Dirigente Kim Jong Il fez uma leitura histórica muito correta e analisou que em todos os momentos importante da Revolução Coreana havia sido o Exército Popular a garantir a independência do país e o caráter popular do Estado. Então nasceu o que chamamos de Política Songun, que centralizou as atenções e recursos da RPDC no Exército, com o objetivo de modernizá-lo e transformá-lo numa poderosa força de auto-defesa.

A Revolução Songun significa não só dar atenção e prioridade aos assuntos militares como também preparar todos os cidadãos para defender a Pátria e também educar ideologicamente todo esse Exército na ideologia revolucionária da Coreia, a Ideia Juche. Isso significa que os militares começaram a tomar parte ativa na construção socialista, participando da vida econômica do país, atuando nas construções de grandes obras da pátria, como prédios, diques, barreiras hidrelétricas, cidades, etc.

Songun para além de reforçar as defesas do país também significa reforçar o espírito revolucionário do povo coreano.

Coreia do Norte em Foco: 2. Qual a importância do programa nuclear para a defesa da nação norte-coreana?

Lucas Rubio: A RPDC tem uma história de luta muito longa contra inimigos externos muito poderosos que por várias vezes ameaçaram sua existência de modo grave. Por exemplo, durante a Guerra de Libertação da Pátria, que conhecemos pelo nome de Guerra da Coreia, o Exército dos Estados Unidos, sob o comando de Douglas MacArthur, chegou a cogitar usar armas nucleares contra o povo da Coreia Popular para alcançar uma vitória militar rápida tendo em vista que as investidas militares tradicionais estavam falhando.

Depois da assinatura do armistício da guerra, que aconteceu em 1953, a RPDC passou décadas e décadas convivendo com o fantasma da guerra nuclear já que os EUA enviaram e posicionaram armas nucleares nos territórios do Japão e da Coreia do Sul, apontando-as para a Coreia do Norte.

Quando na década de 1990, sem a presença da URSS e externamente muito frágil, a Coreia precisou revisar seus planos de defesa, foi concluído que era muitíssimo caro e inviável investir em tanques, aviões ou outros equipamentos do Exército que na verdade nem são eficientes no território coreano, que é muito acidentado e irregular. Sendo assim, mais uma vez sob a luz da Ideia Juche, que teoriza a análise concreta da realidade do país, o povo coreano decidiu que o mais adequado era desenvolver justamente armas atômicas como forma de dissuasão nuclear contra os EUA.

Naquele momento, e até hoje, os EUA cercavam o país de todas as formas, impondo bloqueios econômicos, políticos e diplomáticos que causavam uma degradação econômica e humanitária muito grave na Coreia do Norte. A ameaça de uma guerra era muito real.
Determinados a defender o socialismo e a independência à todo custo, e amparados pelas ciências do Juche e do Songun, os cientistas e técnicos da Coreia Popular começaram a trabalhar arduamente no desenvolvimento criativo de armas nucleares que deveriam ser produzidas com tecnologia totalmente nacional.

Quase como um milagre, uma vez que é muito difícil desenvolver tal tecnologia, em 2006 o povo coreano alcançou uma grande vitória ao testar o seu primeiro artefato nuclear. O evento mudou para sempre as relações da Coreia do Norte com o mundo.

Já sob a liderança do Marechal Kim Jong Un, o povo coreano viu o seu prestígio internacional crescer ainda mais como uma potência nuclear respeitada. Em 2016, o país testou com sucesso sua primeira arma nuclear de hidrogênio, um evento notável. Mas foi em 2017 que a vitória final na tecnologia nuclear e balística chegou para a Coreia. Acompanhando a progressão histórica dos testes de mísseis balísticos, em julho de 2017 a RPDC testou com sucesso o seu primeiro míssil com alcance intercontinental, capaz de atingir, por exemplo, qualquer ponto dos EUA. Essa vantagem tática serviu de argumento para que o Presidente dos EUA, Donald Trump, aceitasse baixar o tom hostil contra a Coreia e iniciasse diálogos de negociação. Por mais que tais diálogos não tenham resolvido a questão de fato, a Coreia teve sua voz ouvida e sua independência mantida através de sua própria força.

Acho que vale destacar aqui que o desenvolvimento de armas nucleares nunca visou o ataque real, mas sim a defesa do Estado socialista. A Coreia sabe muito bem sua posição no mundo e seu poderio perante o inimigo. E por mais que pareça contraditório, foi justamente o desenvolvimento de tais armas táticas e com alto poder destrutivo que manteve a Península Coreana em paz – os EUA reconsideraram seriamente qualquer atitude de ataque contra a Coreia do Norte, uma vez que a resposta coreana seria amarga demais. O equilíbrio foi alcançado.

Coreia do Norte em Foco: 3. Qual o objetivo principal do CEPS?

Lucas Rubio: Para além de estudar a Política Songun, que é a política militar do país, temos como pontos centrais de atuação a disseminação da experiência revolucionária da Coreia Popular, a desmistificação das inúmeras mentiras que são inventadas e espalhadas sobre esse país, bem como a popularização do tema no Brasil e a promoção do intercâmbio político e cultural entre o povo brasileiro e o povo coreano.

Em 2018, nós fomos convidados pelo próprio governo da Coreia Popular para visitar o país. Na ocasião, acompanhamos os festejos de comemoração aos 70 anos de fundação do Estado da República Popular Democrática da Coreia e ficamos 10 dias no país, participando de vários eventos, conhecendo vários lugares de lá e tivemos até mesmo a chance de ver o Marechal Kim Jong Un na nossa frente.

Durante nossos poucos anos de atuação, fomos capazes de popularizar bastante o tema, disponibilizando para as pessoas informações e materiais de estudo sobre a Coreia na internet, através de nosso site e biblioteca virtual, e também fora dela: realizamos todos os anos uma extensa agenda de eventos, seminários e cursos sobre os mais diferentes temas que englobam a Coreia do Norte em diversas partes do Brasil.

Já fizemos atividades em escolas, universidades, sindicatos, auditórios e assentamentos em vários estados brasileiros e pretendemos ir ainda mais além assim que possível. Por essas nossas atividades, já fomos várias vezes mencionados na mídia estatal da Coreia Popular e um dos nossos antigos membros chegou até a ser condecorado pela Assembleia Popular Suprema da RPDC, o maior órgão do Poder Popular de lá.

Com essas atitudes, não só queremos levar para as pessoas um outro ponto de vista sobre a Coreia do Norte, mais científico e realista, como também promover entre o povo brasileiro o espírito de independência e fomentar a perspectiva de mudança da realidade através de uma revolução popular, à exemplo dos nossos camaradas coreanos que fizeram isso com grande sucesso.

Coreia do Norte em Foco: 4. Como nossos seguidores podem acompanhar as atividades do CEPS nas redes?

Lucas Rubio: Temos vários canais pela internet e fora dela onde postamos muitas coisas interessantes sobre a Coreia Popular.

A nossa página no Facebook é um dos mais conhecidos meios, mas também temos o nosso site e canal no YouTube; além da página central, também administramos a página “O Outro Lado da Coreia do Norte”. O meu próprio perfil pessoal – Lucas Rubio – é um lugar onde constantemente escrevo e comento sobre o assunto. Fora da internet, temos programadas para esse ano reuniões mensais no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Quem se interessar, pode nos seguir, os endereços são os seguintes:

Página no Facebook >> https://www.facebook.com/CEPSBR/

Site na internet >> https://cepsongunbr.wordpress.com/

Canal do YouTube >> https://www.youtube.com/channel/UC001pdZ7vaiksSDtyvlgmMg

Página O Outro Lado da Coreia do Norte >> https://www.facebook.com/OOutroLadodaCoreiadoNorte/

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Centro de Estudos da Política Songun do Brasil
(em colaboração com Coreia do Norte em Foco)

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